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Só existimos em junho? Uma reflexão sobre o mês do orgulho LGBTQIA+

Em junho a comunidade é abraçada, celebrada e falam sobre respeito à diversidade. No resto do ano o acesso a direitos básicos como: atendimento digno em serviços de saúde, vagas de emprego, educação e moradia é raro ou negado. Todos os dias nos deparamos com péssimas práticas de profissionais de saúde (incluindo saúde mental) que não tem o menor preparo para atender a comunidade, muitas vezes desrespeitando, destilando comentários preconceituosos ou atitudes questionáveis.


 

Estamos em junho e, para além das festas dos santos comemoradas em Portugal, celebramos o mês do orgulho LGBTQIA+. Neste mês nós testemunhamos vários estabelecimentos públicos e privados hasteando a linda bandeira arco-íris pelas ruas, vemos propagandas, campanhas e uma série de eventos por todo o mundo, falando sobre tolerância, diversidade, inclusão, etc. Tudo muito bonito se não fosse a realidade das coisas.



Pessoas LGBTQIA+ só são lembradas em junho, apesar de existirem em todos os meses do ano. E nesses dias de “não junho”, essas pessoas lidam com suas dificuldades, problemas, preconceito e tentam sobreviver diariamente, sendo esquecidas, invisibilizadas ou mesmo repudiadas pelo resto da sociedade.


Em junho a comunidade é abraçada, celebrada e falam sobre respeito à diversidade. No resto do ano o acesso a direitos básicos como: atendimento digno em serviços de saúde, vagas de emprego, educação e moradia é raro ou negado.


Todos os dias nos deparamos com péssimas práticas de profissionais de saúde (incluindo saúde mental) que não tem o menor preparo para atender a comunidade, muitas vezes desrespeitando, destilando comentários preconceituosos ou atitudes questionáveis.


Muitas pessoas LGBTQIA+ tem que esconder suas identidades e sexualidades para conseguir emprego ou lugar para morar. Também é negado o direito de poder usufruir de espaços públicos com segurança, em qualquer horário, sem ter medo de sofrer agressões verbais ou físicas.


Muitos dizem “mas não tenho preconceito com gays”, mas todos os dias, nós profissionais de saúde mental que acolhemos a comunidade, ouvimos relatos de agressões e violência de todo tipo, inclusive das próprias famílias dessas pessoas, que as negam e expulsam das suas casas, deixando-as ainda mais em situação de vulnerabilidade psicológica e social.

O “não preconceito” muitas vezes é condicionado a uma performance cis- heteronormativa que só abarca uma percentagem muito pequena da comunidade. “Não tem nenhum problema ser gay, mas não saia mostrando por aí. O que os outros vão pensar?”


Em junho a comunidade marcha orgulhosamente nas ruas, levantando suas bandeiras, lembrando a comunidade que tem direito de existir, de se expressar e de amar como qualquer ser humano, afinal contribuem para a sociedade e pagam impostos como qualquer ser humano. Mas em termos de direitos e dignidade, definitivamente a comunidade LGBTQIA+ não é tratada como os demais seres humanos.


Ahhh… Mas em junho é permitido “sair mostrando por aí”! Em junho é permitido existir, mas só em junho...



Counselor e Psicóloga

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