Consultas de Psicoterapia e Psicologia Online enquanto única opção

Para quem não teria a Psicologia ou Psicoterapia online como uma alternativa, pode ser estranho ser hoje a opção.

A perceção da realidade está em constante mudança – desde o nosso mundo interno, às mudanças no Planeta ou mesmo na Galáxia. Parece que a (nossa) noção de permanência é intrínseca à grande família Humana.


Quando não desenvolvemos habilidades como a flexibilidade, a fluidez ou movimento para as nossas vidas, a “cristalização” de certos velhos e conhecidos hábitos podem interferir com os processos de mudança e transformação – tornamo-nos mais rígidos, não permitindo uma abertura à experiência nem à vida.


A vida é, de forma bem simples, o acumular de experiências e da integração (espera-se!) das mesmas, entre um complexo movimento entre o que sentimos, agimos e fazemos connosco, com os outros e com o Mundo, que nos vai moldando em tantas formas de ser (humano).



Psicoterapia e Psicologia Online, como é quando não é a opção?


É importante que possamos compreender que existem algumas limitações para a prática online. Por exemplo, pessoas em grande ativação emocional ou agitação motora, não acompanhadas no local onde se encontram, pessoas com doença mental em estado agudo (psicoses, ideação suicida severa).


Não existindo outro tipo de contraindicações, é fundamental que a pessoa, que procura ajuda, saiba como todo o processo pode ser realizado e que os direitos, pela sua dignidade e integridade, e o respeito pela sua individualidade, autonomia e liberdade, sejam totalmente respeitados. O processo é da pessoa. Os psicólogos, com responsabilidade e competência, apenas facilitam essa jornada, caminhando lado-a-lado com o seu cliente.


Como funciona a Psicoterapia e Psicologia online?


É natural que, num primeiro encontro, as pessoas não se sintam totalmente confortáveis. Pode existir uma sensação de estranheza e o pânico pode surgir, mesmo para quem já tenha um processo terapêutico presencial e frutívoro - a indicação de mudança para o setting online pode ser pouco tentadora.


Mesmo para uma pessoa que já tenha experiência terapêutica no online, pode acontecer que sinta que o trabalho, que está a ser realizado, já não é suficiente ou que, aquele psicólogo, já não a “compreende ou encaixa”. Porém, nestes momentos, em que nos podemos sentir assim, não quer dizer que seja realmente assim.


Comunicar essas diferenças e/ou dificuldades é elementar apesar de, muitas vezes, difícil. Ser honesto (com o próprio e com o terapeuta) cocria um encontro mais real, espontâneo e produtivo.


O espaço terapêutico espera-se fértil, um terreno comum de conhecimento e reconhecimento da unicidade de cada pessoa.

Pode parecer que, “fazer terapia” ou iniciar um processo terapêutico, não fará diferença, que não nos irá ajudar a sentir melhor. Tocar nas feridas doí. E o desafio é compreender como esse sofrimento pode ser ajustado, resignificado e integrado, de uma forma saudável. Porque “dor”, todos a sentimos o que muda é forma “como” a sofremos.


Por exemplo, em todos os processos terapêuticos, online ou presenciais, existem momentos que podemos estar a lidar com coisas e situações extremamente difíceis ou, outras vezes, pela dificuldade em “estar” com as nossas sombras – nas nossas trevas.


O processo pode demorar meses ou anos, até surgir coragem e responsabilidade de abraçar o que, até então, possa estar a limitar a nossa forma plena de Ser e Estar, com todas as nossas formas integradas e não separadas. Existem coisas maiores que nós, maiores que uma única sessão terapêutica ou meses de terapia. "Estar em terapia" é mais do que o “ganho” ou progresso “sessão após sessão”. É mais do que sairmos da mesma, mais leves ou a sentirmo-nos melhores.


É, muitas vezes, apenas a possibilidade de um processo de confiança entre pessoas, num encontro empático e livre de julgamento.

É sobre compaixão, conexão, sobre descarregar e retirar a armadura, libertarmo-nos e desfazermo-nos do que já não serve ou que possa já não fazer sentido. Emoções, sentimentos e comportamentos são identificados, elaborados, projetados, resignificados e, eventualmente, aceites e transformados. É sobre escutar, compreender e refletir. E, se no limite, não nos sentirmos melhor, não estamos sozinhos e, com certeza, não ficaremos piores. E isso é totalmente possível nas consultas de psicoterapia e psicologia online.




Quais os obstáculos para o processo psicoterapêutico online


Existem pessoas que deixaram o seu processo psicoterapêutico (presencial) suspenso, porque não gostam da modalidade online. Outras, descobrem que até o preferem. E, existem outras que “sempre” fizeram assim, como uma alternativa ao encontro presencial. Por isso, a importância de pensarmos este tema, mesmo dentro de tantas multiplicidades - pode não servir para todos e está tudo bem.


Estas são algumas ideias que podem ser importantes para (re)pensar, tanto para quem nunca experimentou, como para quem experimentou e não se identificou:


  • Como numa consulta de Psicologia ou Psicoterapia presencial, o importante é a construção da relação terapêutica, que é o motor para a mudança e transformação;

  • Esta é uma relação de confiança, que preza pela confidencialidade e sigilo;

  • O principal é a pessoa sentir-se acolhida, respeitada e livre, nas suas escolhas e partilhas.


Contudo, a consulta de Psicoterapia online pode criar mais ansiedade:


  • Pode parecer estranho o psicólogo “entrar” na casa do cliente – o que para uns pode ser sentido como mais seguro, para outros pode ser estranho ou até invasivo;


  • Para a pessoa, pode ser difícil encontrar um espaço em que se sinta segura, tranquila e com privacidade (pode acontecer, a pessoa só encontrar esse espaço, por exemplo, na WC ou dentro do carro);


  • Mesmo que o espaço seja seguro, não é igual à atmosfera terapêutica do consultório – a casa, o carro, ou o local onde a pessoa está, pode ser sentindo como um espaço menos “acolhedor” ou que (des)motive a reflexão;


  • Pode existir uma sensação que “falta algo”, que a energia envolvente não é a mesma, ou que a qualidade de presença é inferior ou que a neutralidade também;


Isto pode ocorrer pois, muitas vezes, o processo de uma sessão começa antes dela – e, presencialmente, a ida e o caminho para o consultório ou o cheiro do espaço físico, ativam e motivam para “esse momento”, assim como os pormenores do local em si, que já consideramos parte do processo e que nos acompanham nas tantas partilhas (os lenços, aquela planta ou candeeiro, por exemplo).


Por outro lado,

  • Para algumas pessoas, mais desconfiadas ou tímidas, o facto de ser online e de estarem em casa, pode ajudar a ultrapassar alguns obstáculos iniciais criando, mais facilmente, um elo com o terapeuta;


  • Podemos agradecer à tecnologia que nos aproxima, que nos permite manter o contato e equilibrar o isolamento ou o distanciamento social (que deveria ser só nomeado de distanciamento físico);